quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Procurando Apartamento

Aproveitando a segunda folga da semana e à procura de apartamento. Ontem fiquei sabendo de um quarto que vai vagar, no mesmo prédio que o Dario e a Marcela têm amigos morando e que dizem é bem bom. Hoje fiquei sabendo que, coincidentemente, os outros moradores desse ap são meus colegas de aula. Amanhã eles me dizem se vai dar pra ir eu e a Laiza. E aí fica tudo certo. Lá o aluguel mensal é 237 euros + internet + luz. Tá dentro da faixa de preço que a gente tava procurando. E é em Dublin 8, um lugar bom da cidade. Tomara que dê tudo certo.
Hoje, na aula, fiquei sabendo que na Arábia Saudita não existem mendigos e a maioria das pessoas têm um alto padrão de vida. E que na Malásia o governo paga salário pros universitários. Será que entendi direito¿
Fiz a minha parte da massa com atum e ficou ótima! Ou eu que tava morrendo de fome, mesmo. Ontem comi super bem, mas deve ser fome acumulada dos primeiros dias aqui. No restaurante até já me deram outros pratos, mas só o que consigo comer, porque não tem tanto chilli, é o famoso Chicken Tikka Masala, que vem a ser peito de frango em cubos com um molho rosado que parece de creme de leite e umas ervas. Pra acompanhar eles servem o Pilou Rice, um arroz amarelo picante, ou outro arroz com ovo mexido, cenoura e outros legumes. Pra mim fazem um prato especial, porque o que servem normalmente pros clientes não consigo comer de tão picante. Mas é bom. Ontem eu já tava fazendo sugestões pra um cliente no telefone, porque a cada dia aprendo mais sobre os pratos.
O Dario e o Everton acabaram de chegar contando que conseguiram o “bico” de entregar flyer do restaurante durante o fim de semana. O Green Chilli é o restaurante indiano mais gaúcho de Dublin. Ontem, uma hora que o gerente me chamou, esqueci e respondi “Oooi”. Daí ele ficou repetindo OI o tempo todo e dizendo que tá aprendendo português. As vezes eu esqueço na aula também, quando a conversa tá fluindo, e falo alguma coisa em português. Na minha turma tem gente com inglês muito melhor que o meu e outros que não sabem nada.
Saí pra comprar caderno e sabonete em barra, o nosso sabonete normal de tomar banho. E não tive dificuldade pra escolher. Na lojinha “tudo por 2 euros” só tinha uma opção de caderno e uma de sabonete. Beleza!


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um pouco de tudo

Como reconhecer um estrangeiro no Reino Unido¿ É a pessoa que está olhando pro dois lados pra atravessar a rua.
Ainda não me acostumei com a mão “errada” daqui. Nas ruas mais movimentadas tem escrito logo na margem da calçada “olhe para a direita” ou “olhe para a esquerda” para evitar que muitos estrangeiros sejam atropelados. Também não me acostumei a levar sacola de casa pra trazer as compras do mercado. Outro dia vim abraçada em um pacote com 8 rolos de papel higiênico que estava em promoção. E em cima empilhei as outras compras.
Ontem eu e a Sabrina, que chegou sexta e também é jornalista, que voltamos carregadas de compras. Ela fez uma massa com atum pra gente e amanhã é a minha vez de cozinhar. Amanhã vai ser folga de novo. Fiquei com folgas nas segundas e quartas.
O trabalho é uma segunda aula de Inglês. Facilita aprendo mais com as necessidades de comunicação que surgem por lá do que na aula mesmo. O mais difícil pra mim ainda é entender no telefone qual o endereço do cliente. Os dois irlandeses que trabalham no restaurante com delivery precisam ligar pra pessoa pra confirmar o endereço sempre. Talvez por isso eles me odeiem e nunca me deem carona. O jeito vai ser estudar as ruas de Dublin 7, porque a maioria dos pedidos é de lá mesmo.
Agora eu moro em D1, estudo em D2 e trabalho em D7. Mas hoje já comecei a procurar ap, porque me mudo dia 16. Agora estou procurando vaga em apartamento do lado par da cidade, que dizem que é o mais seguro, pra mim e pra Laiza. Se ainda surgir um trabalho de au pair eu pego.
Admiro muito quem trabalha o dia inteiro e faz faculdade de noite. Ou faz duas faculdades simultaneamente. Nos dias que eu assisto 4h de aula e trabalho 7h, como hoje, fico podre. To aqui bêbada de sono.
O intercâmbio é para conhecer a Irlanda e a Europa, mas a gente acaba conhecendo um pouquinho mais também sobre o Brasil e sobre a nossa própria região. Por exemplo, conforme o lugar de origem de cada brasileiro, uns nçao entendem algumas expressões dos outros. “Vou me escovar” não siginifica pra todo mundo “vou escovar os dentes”. E descobri que nem todo brasileiro chama pano de prato de guardanapo, como eu. Isso além de outras peculiaridades sobre outras regiões do Brasil, porque tenho colegas de aula de outras partes que contam as diferenças. E a gente acaba aprendendo bastante sobre o país de origem dos colegas. Antes eu mal sabia pra que lado ficava a Malásia, agora convivo com pessoas de lá na aula e todo dia aprendo mais.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Drops

É muito bom trabalhar, mas um dia de folga é tudo de bom. Ainda mais que tô caindo de sono hoje.
Hoje me inscrevi para trabalhar na Penneys, que uma colega de aula que trabalha lá disse que eles estão recrutando pro Natal.
Hoje tivemos professor novo. Sai Adriana, entra Kevin, um irlandês do interior que tem senso de humor. Acho que os irlandeses tem muita dificuldade de pronunciar o BR. Ele chamava todo mundo pra ler, menos eu e o FaBRizio. E no restaurante só me chamam de “my friend”...
No último dia de aula da Adriana, quinta, ela falou sobre a Revolução na Irlanda em 1916. Dez líderes do IRA, que naquela época ainda não era um grupo terrorista, assassinaram 5 oficiais britânicos na O’Connel Street. As marcas de tiros continuam nos pilares em frente ao prédio do Correio. Segundo os irlandeses, os britânicos abusavam do poder e oprimiam os civis. Em represália, tropas britânicas atacaram grupos de rebeldes no episódio da história da Irlanda que ficou conhecido como Domingo Sangrento (Michael Collins – Bloody Sunday – da música do U2 mesmo).
O que mais se vê pelas ruas de Dublin são asiáticos e carrinhos de bebê. E asiáticos empurrando carrinhos de bebê. Aqui no prédio, no entanto, moram vários indianos. E tem alguém fazendo janta agora, 5 e meia da tarde, porque o cheiro de comida tá entrando pela janela. Tem muita mulher jovem grávida. Parece que o governo incentiva com auxílio em dinheiro conforme o número de filhos. Daqui a pouco, a Irlanda vai virar um Brasil ruivo.
Hoje consegui depositar o dinheiro na minha conta, mas ainda não recebi o cartão e a senha. O asiático que me atendeu no banco disse que o extrato vem pelo correio em 2 dias úteis. Duvido! Depois disso, fica faltando só ir na imigração pagar o visto. Espero que o cartão do BB funcione.

Gorjeta da semana - 25,66 euro - bem pouco comparado ao que o pessoal fala que fatura em um único dia com gorjetas em pubs, mas muito estimulante para uma segunda semana de intercâmbio



O meu nome no alfabeto do colega Yazeed, que é da Arábia Saudita

O meu nome no alfabeto da colega Jessica, que é da Malásia


Estátuas que fazem referência à Peste Negra, de 1340 - Bubonic Plague, The Black Death. Na mesma época aconteceu uma praga nas plantações de batatas, principal alimento dos irlandeses. Segundo meu professor, morreu um milhão de pessoas na Irlanda


domingo, 3 de outubro de 2010

Lugares

The Globe, o pub em que fomos na minha primeira sexta aqui.
Green Chilli, o restaurante em que estou trabalhando

O Moa, a Laiza, eu e a Cláudia em frente a Abbey College, a nossa escola (eu sempre dormindo na foto)


A sala, a cozinha e o Dario - Egali House - apartamento 25


Prédio da Abbey College

sábado, 2 de outubro de 2010

Emprego

Eu poderia dizer que achei um emprego aqui em Dublin, mas a verdade é que o emprego me achou. A Gabriela, que tá aqui há 10 meses e é amiga do Moa, foi chamada pra ajudar em um restaurante indiano que ela já trabalhou terça. Como ia precisar mais alguém, ela ligou pro Moa. Como precisa ter um inglês razoável, pra atender telefone e as mesas, o Moa não foi e passou pra Cláudia, que não se animou e passou pra mim. E só por isso eu tô trabalhando desde o meu nono dia aqui. O que é bem raro. Tem gente que tá procurando emprego há mais de dois meses e ainda não conseguiu.
O gerente é um indiano que tá aqui há 8 anos, mas ainda não fala inglês muito bem. Talvez porque entre os amigos fique falando em indiano o tempo todo. Eu acho isso uma falta de respeito comigo, eles falarem na minha frente uma língua que eu não entendo. Por enquanto sou a única garçonete, mas ontem trabalhei por duas e hoje vou levar a Débora junto, porque amigos meninos já levei dois e ele não quer. Tomara que dê pra ela ficar, pra voltar depois comigo, porque eu tenho medo de andar pelas ruas às 11 da noite. Por mais que Dublin seja uma cidade 24h e que eu passe por várias mulheres também andando sozinhas, acho perigoso. Se bem que o caminho que eu volto é bem iluminado e tem vários mercados, bares e lanchonetes abertos.
Cheguei dois dias atrasada porque me perdi indo pro restaurante. Em quatro dias de trabalho já devo ter feito todos os caminhos possíveis até lá. E o gerente deu piti. Ontem ele deu vários pitis porque quer que eu já tenha decorado a abreviação de cada prato pra escrever na comanda e passar pra cozinha. Só que eu ainda não consegui. São uns nomes muito estranhos dessas comidas. E ele não quer que eu pergunte pros clientes qual o número do prato no cardápio, o que me facilitaria muito. Mas tô orgulhosa de mim de conseguir decifrar o sotaque irish no telefone, ainda mais pedindo essas comidas.
O restaurante vai pagar 5 euros por hora. O que está bem abaixo do valor que a imigração determina como mínimo, que é de 8,65 euros. Pra compensar, me enchem de comida. Só que não é do meu agrado e muito apimentada. O gerente fala que posso pegar refri, café, o que eu quiser, mas prefiro comer só o que me oferecem mesmo. Já rolou de o gerente me dar alguns trocados de gorjeta, mas ainda não disse em quantos dias por semana vou trabalhar e nem falou sobre pagamento. Isso dos 5 por hora foi a Gabriela que me passou.
O Dario e a Marcela estão me recomendando não fazer nenhum comentário ofensivo sobre o lugar em que eu estou trabalhando, por uma questão de ética. Então limite-se a imaginar as questões de higiene, ou da falta dela, com as quais eu sou bem exigente e não estou satisfeita. Exemplo, pegar dinheiro e em seguida pegar com a mão suja uma massinhas que vai na sacola de delivery. Tá, se eu fosse da vigilância sanitária esse lugar ia levar multa. Pode falar assim pessoal¿
Agora sigo atrás de um emprego de au pair. Ontem liguei pra Ursula, que é uma pessoa aqui que agencia babás e tal. Ela disse que sem experiência e carteira de motorista eu provavelmente vou receber menos. Se conseguir. Mas vou seguir tentando, porque é um emprego que dá casa, comida e o dinheiro que se recebe dá pra guardar e juntar pra viajar depois. E deve ser bem tranquilo.
Além de lavar louça, limpar e atender as mesas, levar as bebidas e atender o telefone, eu encho os potinhos que vão na delivery com dois tipos de molho qu todo mundo ganha, pra comer com a tal massinha, que parece uma massa de pastel frita.
Hoje trabalho das 4 às 11h. Ontem foi melhor, pq foi das 7 às 11. Sete horas seguidas, depois das 4 de aula, é meio cansativo. É bom estar trabalhando, claro, mas aí o meu dia se resume a aula e trabalho. Fico com vontade de acompanhar o pessoal nos passeios e não dá mais.

Parte da turma da aula. Da esquerda pra direita, ? (Polônia), Lorena (Espanha), Fabrízio (POA), eu, ? (México), ? (China), Lily (Malásia), ? (Venezuela)


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Fotos da primeira semana

Domingo, a Laiza, eu e a Claudia, em frente ao Museu Nacional. Foto do Moa. Friozão. Nesse prédio funcionava um quartel antes.


A caminho das Docklands

A caminho do Dublin Castel, fotografamos com a escocesa tocando a gaita típica 

Eu, a Gabriela, o Moa e a Laiza em frente ao Dublin Castle


domingo, 26 de setembro de 2010

Dias de turista

Por enquanto passeamos todas as tardes, como turistas. Semana que vem temos que ir ao banco abrir a conta, depois ir depositar, depois ir pegar o extrato, depois ir na imigração com o extrato e pagar o visto. E começar a estudar, pra passar de nível na próxima prova.
Ontem fomos caminhar até encontrar o mar, mas o que achamos foi o Museu Nacional da Irlanda. Nada demais, só um museu como outro qualquer. Mas quem vem pra cá fazer intercâmbio tem que conhecer. Acho que é obrigação saber o máximo possível sobre a cultura local. Quando estávamos chegando na parte de móveis antigos, nos expulsaram porque faltavam 2 pras 5 e o museu já ia fechar. O museu funciona onde antes era um quartel, num prédio todo de pedra, mas que por dentro é bem moderno. Parece um Big Brother, todo vigiado por câmeras. E é grátis pra entrar.
Mas só entrar nesses lugares de pedra, com estruturas ainda da Idade Média, por si só já é emocionante. Pensar que alguém viveu ali há muitos anos, andou por aqueles corredores.
No caminho encontramos um memorial, que eu achei que fosse um cemiterio, e que ainda não entendi direito do que se trata... Na volta, passei com a Laiza pra comprar uma baguete e o indiano que tava atendendo naquele dia decidiu que salada de brocólis e cenoura contava como sabor extra, ao contrário da madrugada anterior, que comprei quando a gente voltava de um pub. Depois passamos na Pennyes, uma Renner realmente barata. Mas em euros!
Hoje caminhamos para o lado oposto do rio, ainda querendo encontrar o mar. Fomos para uma parte mais moderna da cidade, onde tem o O2, lugar onde acontessem vários shows, inclusive onde vai ser o da Shakira em dezembro que eu quero ir, uma ponte linda que parece uma harpa, e as Docklands, zona portuária onde fotografamos barcos. Ali o cheiro já é diferente, com a brisa do mar. Enxergamos o estádio e um centro de eventos, que tem uma estrutura que parece uma bambona de água, mas torta. À noite, essa região deve ficar linda, iluminada. No trecho do rio que fica no centro da cidade podemos caminhar em um deck pela parte interna das margens, lugar onde se encontram bancos em que o pessoal fica lendo e conversando e alguns cafés super charmosos. Floreiras coloridas antecipam a vista da rua movimentada que passa ao lado.

sábado, 25 de setembro de 2010

Últimos dias parte II

Bom, sábado foi tudo tranquilo no aeroporto de Porto Alegre. De repente me peguei pensando “o que eu to fazendo¿”. Mas tudo certo. Pra trocar os euros, eu achei que iam convidar pra passar pra uma salinha lá dentro, bem escondido... que nada, entregam a grana ali no corredor, com todo mundo do aeroporto passando. Daí tu te vira pra colocar na “pochete”, por baixo da roupa. Eu e a mãe esquecemos de fazer fotos juntas no aeroporto, e as minhas sozinha ficaram horrorosas.
Já em POA entrei na fila errada do número da passagem. E segui fazendo erros até chegar em Dublin, fechando com chave de ouro com o uso do VTM pra ligar pro menino da Egali que ia me esperar na parada do ônibus, mas isso conto depois.
Consegui janela nos 3 voos. Quando achava que o avião não tinha mais o que subir, ele subia ainda mais... E é muito legal ficar acima das nuvens, enxergando como se fosse um céu invertido. Quando cheguei no Rio estava chovendo. Fui procurar o escritório da Ibéria. Daí pedi informações pra um tiozinho que limpa lá e ele praticamente me adotou, ficou vendo se eu tava no lugar certo depois, e eu nunca tava... Isso eram umas 16h e o escritório da Ibéria tava fechado. Como é uma companhia espanhola, imaginei que estivessem sestiando. Daí fui pra fila fazer o chek-in, só que não vi e entrei na mega fila de quem tinha que fazer check-in com mala. Quando vejo, tá o tiozinho da limpeza me resgatando pra fila certa, pq viu que eu tava sem bagagem. Detalhe, essa fila era mil vezes menor. Daí ali já peguei os tickets pra os 2 próximos voos.
Mas na maior dificuldade que eu tive no Rio o carinha esse não podia ajudar. Como fazer xixi com um casaco comprido (que eu fui usando pq não cabia na mala), uma mochila nas costas e uma bolsa, sem sentar¿ Tudo isso sem encostar em nada... E o Galião é muito mais sujo e desorganizado que o de POA.
O aeroporto de Madri é lindo. Fui do Rio sentada com um engenheiro português que é professor na Universidade do Porto. Ele queria me convencer de que a chegada do imigrante europeu foi a melhor coisa pros índios. Europeu é assim, né¿ Tá sempre querendo ter um papo cabeça. Daí ele me ajudou em Madri a encontrar as primeiras indicações de que pra que lado era o meu portão de embarque e antes de pegar o metrô nos separamos, pq tem filas diferentes pra europeus e não europeus. Apesar de ser muito grande lá, fiquei tranquila porque é muito bem sinalizado. Em cada placa de sinalização tem a indicação de tempo de quantos minutos se leva caminhando até o seu portão, e cada portão tem uma cor para se guiar. É só chegar lá com tempo pra fazer a maratona... Como eu despachei a mala em POA pra só pegar em Dublin, foi mais fácil.
A chegada foi tranquila, fui a última pessoa da fila da imigração, mas em compensação o cara não me perguntou nada, nem pediu pra contar o dinheiro. Fiquei preocupada por nada. Ele só afirmou “vai ficar 1 ano” e pediu pra eu dar um passo atrás pra fazer a foto. Cheguei na esteira e em menos de 2 minutos veio a mala. Depois pedi pra um cara ali trocar uma nota de 50 euros pra ligar pro Vagner, da Egali, me esperar na parada e perguntar onde comprava o ticket do AirCoach, o bus pra ir até o centro. E foi aí que fiz merda! Como não consegui colocar uma nota de 10 na máquina, tive a infeliz ideia de usar o VTM. Tudo certo na ligação, ele atendeu rapidinho e quando o ônibus chegou já estava lá esperando. Só que foram descontados 25 euros do meu VTM. Dinheiro que agora está fazendo muuuuita falta. Resumindo, se você vem pra Europa nem tire o VTM da bolsa se tiver um orelhão por perto. É fatal.
O AirCoach tem lugar pras malas embaixo, como um Planalto normal. A gente compra o ticket no mesmo lugar que espera ele, na calçada. E as janelas são enormes, é um bus de turismo... Foi por aquelas janelas que eu vi Dublin pela primeira vez, além da vista aérea de quando o avião tava chegando. E como veio de Madri pra Dublin cheio de espanholas, foi um pouso cheio de gritinhos passionais de “ai, que lindo, que guapo, que bueno”. Na primeira vista, a cidade parece um mini mundo ampliado, todo com casinhas e prédios de no máximo 4 andares de tijolinho à vista e com várias áreas verdes. Depois de descer, a cidade continua linda, mas deixa de parecer um mine mundo e os prédios grandes surgem.
Quando cheguei com o Vagner no ap, o Dario me rebeu super bem, como eu tb pretendo receber as criaturas que forem chegando. Emprestou pasta de dentes e me orientou como funciona o chuveiro. O chato é que tive que ficar com duas pessoas em um quarto em que só cabem dois. Quando eu vi o vídeo do ap 25 no Youtube lembro que pensei “tudo bem, só não quero ficar com essa cama dentro do banheiro”. E adivinha¿ Foi exatamente com essa que fiquei. Uma cama a 20cm do banheiro, que todo mundo esbarra e joga coisas em cima, pq tá ali, no meio do caminho... E eu odeio que coloquem coisas em cima da minha cama. Tudo bem dividir os espaços, abrir mão de muitas coisas, mas ter pra mim pelo menos o espaço da cama acho que é uma solicitação bem razoável, não¿,
Acho que o Vagner percebeu a minha cara de c, pq disse que eu só teria que ficar ali 2 ou 3 dias, pq a menina que tem a cama da janela já tava saindo. Aham... a guria vai ficar mais tempo que eu, facilita... E como a Cláudia, a outra moradora do quarto, que ficou amiga e talvez a gente more juntas, tb só vai sair uns 2 dias antes de mim. Dormirei no banheiro até o fim! Quando deu 3 dias liguei pro cara pra saber se eu podia trocar de ap e ele disse que não. Que alegria! Disse que eu poderia, no máximo, ocupar o quarto de casal que está vago até hoje. Seria joia, eu teria espaço pra guardar as minhas coisas. Só que tá sempre ocupado com os hóspedes e então não vai rolar...
É um erro colocarem 3 num quarto que só cabem 2. Então que fosse uma beliche e uma cama, não 3 camas.
Logo depois de tomar banho, fui no mercado que me disseram que é o mais barato, o Tesco. Eles não dão sacola, tem que se virar nos 30. Não comi comida desde que cheguei. No Tesco só fruta não é barata, paguei 4,50 em um saco de maçãs pequenas. Fruta e verduras é melhor comprar na feirinha dos chinas que tem aqui do lado do prédio.
Segunda fomos com o Vagner fazer o walk city, pra conhecer os lugares que a gente tem que ir, tipo PPS, banco, imigração... Daí vi tudo mas não decorei nada, pq é muita correria e muita novidade pra um dia só. Comprei o celular na Vodafone e foi mais caro do que eu imaginava que seria. Paguei na tranquilidade com o cartão de crédito do BB. Quando fui mais tarde comprar um netbook, na Argos, uma loja que vende por catálogo aqui, meu cartão não foi aceito. No final do dia, apavorada com esses cartões que não funcionam e tendo que guardar a minha toalha de rosto dentro do guarda roupas por falta de ganchos no banheiro, já tava pronta pra ir até o aeroporto trocar a passagem e voltar correndo. Mas resisti e cá estou eu, há quase uma semana de aventuras já. Tenho tentado contornar os obstáculos, mas tá sendo bem difícil me adaptar.
Domingo de noite todo mundo saiu e eu fui dormir cedo que tava podre. Quando tava quase dormindo, o Vagner bateu na porta trazendo a Laiza, de POA, com quem eu já conversava por msn antes de vir pra cá. Tava tão confusa que fui atender a porta de pijama e de bolsa, como se fosse sair. Ela ficou em outro apartamento, com menos pessoas.
Terça depois da aula fomos passear pelo centro. Foi uma tarde ótima, com muitas risadas e várias fotos. Eu, a Cláudia, a Laiza e o Maciel, que tem uma máquina profissa e fez umas fotos lindas da gente, nos demos tão bem que no segundo dia já estávamos combinando de morar juntos. Ontem não aguentei e pedi pra Claudia não ficar colocando o pé na minha cama, ainda mais antes de tomar banho, e não ficar jogando as coisas na minha cama, principalmente se for roupa suja. Ela disse que sou muito fresca. Ok, sou mesmo. E se não quiserem andar comigo por isso, beleza.
Ainda não tive essa vontade que os outros têm de ficar morando aqui pra sempre. Pra mim, se eu conseguir grana pra sobreviver um ano, tá de bom tamanho.
Já encaminhamos os papeis pro PPS e agora é só esperar o número pelo correio, assim como a carta da escola pro banco, pra abrir a conta e depois fazer o depósito, pra ir na imigração.
A aula é bem legal, várias nacionalidades na mesma turma. Tem espanhois, chineses, poloneses, indianos, venezuelanos, mexicanos. To impressionada com o senso de humor da Lili, uma colega da Malásia, ela passa a aula inteira sendo engraçada. A teacher é uma irish bem alta, que tá sempre de preto, com o cabelo bem loiro e o rosto quadrado típico do povo daqui. Os gaúchos ficam no fundo falando em português e sendo idiotas. No primeiro dia achei fácil demais, agora tô gostando, pq tô aprendendo vocabulário novo, mas ainda não sentei pra estudar.
Quinta foi o Arthur’s Day. Paguei 10 cents pra uma menina que tava desenhando trevos no rosto da gente e fiz uma foto com a Guiness do Maciel. Muita gente nas ruas da região do Templo Bar pra brindar às 18h. Antes eu e o Moa (novo apelido do Maciel) estavámos andando no “feeling” (que é quando a gente sai sem rumo e sem olhar o mapa, pra ver o que encontra) e fomos na Photograph Gallery ver uma exposição. Na saída um cara nos ofereceu maconha.  

Últimos dias

Ai, ai, por onde começar¿ Acumulei vários dias sem atualizar, porque nos dias que antecederam a viagem eram muitas coisas pra organizar e depois que cheguei hoje é o primeiro dia que sentei com tempo suficiente.
Bom, dia 15, quarta, uns colegas do Clube jantaram comigo pra uma despedida. Bem queridos.
Cleomar, eu, Aline, Magali, Eliza, Humberto e o filho no restaurante do Clube Dores
Chaveiro de Havaianas do Brasil que a Magali me deu. Coloquei as chaves da mala, que é o meu guarda-roupas por enquanto

Depois, ganhei várias roupas de inverno, lindas, da amiga Cleu, que tem a marca “Limite Urbano” em Santa Maria.
E ainda não me adaptei com esse computador, que tem teclado estranho e tá fazendo a interrogação espanhola.
A mãe e a Mafalda dias antes de eu viajar

sábado, 4 de setembro de 2010

Contagem regressiva

Duas semanas. Hoje é o penúltimo sábado que fico em casa, por um período de 1 ano. Nesta reta final as preocupações se alternam. Cada dia encuco com alguma coisa. Tenho medo de não encontrar o portão de embarque a tempo do meu voo no aeroporto de Madri, que dizem que é imenso. Medinho de implicarem com a minha idade durante a entrevista na imigração, de o dinheiro não ser suficiente até achar emprego... Nos últimos dias, penso até em onde será que fica a roupa suja do pessoal na Egali House, já que é uma galera em um espaço pequeno... Tomara que o apartamento não seja muuuuito bagunçado e que eu me adapte bem. Fiquei feliz em saber que é proibido fumar dentro do ap, pq cheiro de cigarro ninguém merece!

Também torço pra conseguir logo me localizar sozinha na cidade e saber ir aos lugares sem ficar dependendo da cia de ninguém. Mas, no fundo, sei que vai dar tudo certo. É só uma ansiedade pré intercâmbio que, pelo que tenho ouvido falar de um pessoal do E-Dublin (grupo do Google de pessoas que vão, já estão lá e até que já voltaram de Dublin), é mais do que normal.

Essa semana ainda fiz uma venda ótima de anúncio pra Revista do Clube (www.clubedores.com.br Dorense em Revista), que vai render uma boa comissão por 12 meses. E pretendo trabalhar ainda até dia 15, 3 dias antes da viagem. É que agora os dias voam. Tenho dormido bastante pra me despedir da minha cama e visto filmes, que por lá não sei como vai ser meu acesso à TV e o meu tempo livre. Lá quero ficar o mínimo possível dentro de casa. Vai tá nevando e eu toda entrochada na rua pra aproveitar a paisagem de inverno europeu, heheh.

To louca pra arrumar a mala e saber o que vai caber. No mais é pegar o cartão de crédito internacional no banco, cortar o cabelo, abastecer o VTM, entrar em contato com a casa de câmbio do aeroporto, onde vou comprar os euros e torcer pra que umas pessoas que me devem paguem logo. Mas é bom anotar tudo que tenho pra fazer, porque ando muito no mundo da lua. E comendo tanto que devo me locomover rolando pelas ruas de Dublin.

Louca pra chegar logo, conhecer as pessoas, o ap e a escola, procurar emprego e alugar uma bike em um dos parques enquanto o frio não toma conta da Irlanda. Acho que caminhar bastante pela cidade, de casa pra escola pro trabalho pra não sei onde, não vai ser problema pra mim. É que vejo um pessoal comentando apavorados quantos minutos até cada lugar, e que bus podem pegar. Mas eu, que trabalho como vendedora caminhando direto aqui em Santa Maria, já devo ter algum treinamento nesse quesito. E Dublin deve ter menos ladeiras que SM, senão o pessoal não seria tão adepto da bike por lá...

Bom, agora vou buscar a Mafalda no banho, que acho que não devo fazer isso outra vez por um bom tempo...